terça-feira, 29 de agosto de 2017

Conselhos de meu pai (de Alma Welt)

Meu pai já me alertava, na verdade,
Contra as almas canhotas traiçoeiras
Que conspiram no campo e na cidade
Comendo a nossa liberdade pelas beiras.

As almas torpes, afeitas à mentira,
Que torcem os fatos por pura negação,
Que fedorentos pneus são sua pira
De ódio e inveja do rico e do patrão.

Que amam a escravidão e a pobreza
Mas dos outros, que não a deles mesmo,
Esquerdopatas de caviar na mesa...

E dizia meu pai: "Sempre os combata
Enquanto estão aí somente a esmo,
Por que depois estarás sob a chibata..."

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29/08/2017

sexta-feira, 25 de agosto de 2017

Adeus às ilusões (de Alma Welt)

De guria, meu pai já me alertava:
"Por mais que sejas dócil, Alma, e boa,
Inimigos ganharás, e não à toa,
Pois o Bem, dos maldosos solta a trava."


"Vão te caluniar, torcendo os fatos
E as tuas palavras, com malícia,
Querendo devorar-te, como ratos
Com olhinhos vermelhos de cobiça."

E eu, chocada, recusei-me a acreditar
Supondo o meu pai velho e ranzinza,
Já que o mundo parecia me abraçar.

Precisei sair pro mundo ainda inocente,
E ver minhas ilusões virando cinza,
Pra deixar de ser ceguinha, finalmente...

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25/08/2017

quinta-feira, 24 de agosto de 2017

A rainha do meu quintal (de Alma Welt)

Perguntei ao meu pai, e era guria:
Por que existe o Mal no mundo e aqui não?
Pode um dia ele chegar pelo portão
E não me deixar mais fazer poesia?

Meu pai sorriu mas ficou sério de repente,
Coçou a barba e deu um suspiro fundo
E disse: Alma, o Bem é uma semente
Que também germina e cresce neste mundo.

Não te preocupes tanto agora com o Mal,
Tua pureza te defenderá de tudo
Se a mantiveres sempre em ideal...

Os espinhos são os guardiões da rosa,
Então vai brincar depois do estudo
Em teu quintal onde és rainha poderosa...

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24/08/2017